Um dos mais importantes festivais de arte e música avançada do mundo – aquela com um pé no futuro e que dita tendências  – acabou de comemorar 25 anos e preparou, além de um lineup especial, uma edição inesquecível para seus frequentadores.

Entre os pontos que chamaram a atenção, sua própria longevidade é um dos mais intrigantes, afinal: como o evento se mantém relevante há 25 anos?

Observando essa e outras edições anteriores, percebemos alguns detalhes que ajudam a responder essa pergunta. Confira e aproveite para por os aprendizados em prática!

Parcerias de longo prazo

Uma característica muito interessante sobre a longevidade do Sónar está ligada às suas parcerias consistentes com diversas marcas. Muitas delas estão envolvidas com o festival desde a sua primeira edição, caso da cerveja Estrella Damm, também o principal patrocinador do evento.

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Esse tipo de relacionamento é bom para ambos (evento e marca), pois permite que os dois se conheçam profundamente. Isso gera confiança, tanto no trabalho desenvolvido como até mesmo na  solução de eventuais adversidades que podem surgir (e sempre surgem).

A dica aqui é: ao escolher seus parceiros, tente enxergar aqueles que você gostaria que estivesse com você no longo prazo. Nem sempre a decisão deve ser tomada olhando apenas para o orçamento.

Alta fidelidade sonora

Estamos falando de um festival de música e arte. Ou seja, a curadoria sonora é importantíssima. O Sónar tem uma particularidade agradável quanto ao seu lineup anual: ao mesmo tempo em que se abre para trazer novos artistas a cada ano, investindo até mesmo em novos palcos como o Sónar XS (voltado a artistas revelações e novas tendências), o festival continua escalando artistas que se apresentam ali desde as primeiras edições.

Entre os casos mais interessantes, podemos destacar o do Dj Laurent Garnier, que esteve presente em quase todas as edições do festival e tem um “lugar cativo” no encerramento do evento. Neste ano, o DJ encerrou o final do 1º dia do festival e também fechou o festival com uma apresentação espetacular no domingo pela manhã.

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Dica: não tem problema acompanhar a moda. Mas não deixe de investir em que esteve com você desde o início. Como diria o Paulinho da Viola: “quando penso no futuro, não esqueço meu passado”.  

O mesmo conceito, não importa o tema

O festival mantém outro aspecto estático: sua proposta conceitual. Todos os anos, o Sónar trabalha com um tema de comunicação voltado para a arte contemporânea. Com isso, os temas mudam a cada ano, mas a proposta do evento se mantém a mesma.

Esse ponto é extremamente importante, uma vez que trabalha diretamente com a fidelização do público. Uma vez indo ao Sónar e gostando do que você encontra ali, a vontade de voltar no próximo ano é inevitável, já que o tema explorado não será o mesmo.

Neste ano, o festival criou a exposição “No Flyers, No Posters”, que trouxe a reinterpretação dos principais temas das campanhas do festival no último quarto de século.

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Aprendizado: mantenha-se fiel ao seu conceito original. É ele quem fará a diferença no longo prazo.

Adaptação às tendências

Ainda que seja tradicional em algumas características, o Sónar não conseguiria se manter relevante há tantos anos se não soubesse se adaptar ao longo do tempo.

Um de seus principais investimentos nessa adaptação às tendências foi a criação do Sónar+D em 2013, uma espécie de congresso de três dias sobre “Criatividade, Tecnologia e Negócios”, e que inclui instalações, palestras, exposições e exibições de novas tecnologias com aplicações criativas.

Tecnicamente, o embrião do Sónar+D nasceu desde a primeira edição do festival em 1994. Na época, ele era apenas uma feira com uma parte voltada para profissionais da música (com lojas de discos, gravadoras, distribuidores, editores e promotores) e outra para tecnologia (marcas de hardware e software, empresas de equipamentos musicais).

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Você também pode (e deve) adaptar-se ao longo do tempo, testando, expandindo ou reduzindo áreas de interesse em seu evento. Quem sabe um novo negócio não surge daí?

Espaço VIP realmente diferenciado

A área VIP do Sónar é relativamente pequena e não tem visibilidade para os palcos, somente um telão que mostra o que está acontecendo na transmissão oficial do festival.

Ser VIP no Sónar significa aproveitar o festival com mais conforto. Bares e banheiros exclusivos, experiências gastronômicas assinadas por chefs com a estrela Michelin e o que interessa muito ao público ali presente: muitas opções de bancos e espaços para descanso na sombra.

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O ambiente, criado recentemente, torna-se assim muito mais uma área especial para a “geração que envelheceu com o Sónar” e que preza pelo break em meio à maratona de um festival de 2 dias e 3 noites.

Isso dá o que pensar. Que mensagem você quer passar ao propor uma área VIP dentro do seu evento? É para o rei do camarote? Para famílias que buscam mais conforto e segurança para seus filhos? Ou simplesmente um lugar simples e tranquilo para quem quer um pouco mais de privacidade? A decisão é sua!