Os festivais são eventos que proporcionam diferentes tipos de experiência, como música, cultura e aprendizado. Eles conseguem unir diferentes públicos, estilos musicais, além de evidenciar a diversidade cultural através da música. Porém, a pandemia e o isolamento social modificaram todo o cenário de festivais do Brasil e do mundo.

Foi preciso remarcar datas ou até mesmo cancelar edições. Toda uma rede de pessoas foi afetada por conta disso – pessoas que trabalhavam para trazer a experiência dos festivais até o público. Porém, alguns produtores estão usando esse momento para despertar a criatividade e manter a marca dos festivais viva através da tecnologia.

Sabendo disso, trouxemos essa discussão para o Symplifique na Rede #Festivais. Para falar sobre a experiência dos festivais na era dos eventos online, contamos com Ana Garcia, diretora do festival No Ar Coquetel Molotov; Fernanda Nave, sócia e diretora d’O Panda Criativo, plataforma responsável pelo Festival Path e Henrique Chaves, co-fundador e diretor da SleepWalkers, responsável pelo Festival Planeta Brasil. O papo foi mediado por Karla Megda, head de comercial da Sympla :)

Quais foram as percepções e desafios dos produtores de festivais durante esse período de quarentena? Confira os aprendizados que foram compartilhados durante o Symplifique na Rede:

1. A quarentena não é um concurso de produtividade

A cultura tem o poder de transformar a sociedade, seja pela música, arte ou literatura. E nesses momentos de isolamento não está sendo diferente. Estão surgindo diversas produções online que têm sido fundamentais para o público – a live de um artista, uma peça de teatro online, uma festa via streaming.

Porém, precisamos entender que cada um tem uma forma diferente de lidar com este momento. “Se você não está produtivo nesse momento, está tudo bem. Precisamos abaixar um pouco a ansiedade, gastar mais tempo para pesquisar e analisar o público. Avaliar onde realmente vale a pena gastar sua energia e as propostas que realmente fazem sentido nesse momento”, explica Henrique Chaves, do Festival Planeta Brasil.

O Coquetel Molotov foi um dos festivais que precisou se reinventar durante o período de isolamento social, e pela primeira vez ele sairá do formato físico e terá uma programação completamente online. Para Ana, diretora do festival, nessa transição do presencial para o online foi importante tirar um tempo para pesquisar e avaliar qual seria o melhor formato para o festival.

“Está tudo bem você ter o seu momento e esperar. Tinha muita gente fazendo live, por exemplo, mas isso não encaixava na nossa proposta. Então, hoje eu vejo que para o Coquetel foi bom a gente ter esperado, avaliado qual era o melhor formato e ter entrado com o festival só nesse segundo momento de quarentena”, conta Ana.

2. Se inspire em quem já produz conteúdos online

Sabemos que nada irá substituir o evento presencial, mas os produtores de festivais estão encontrando formas e ferramentas de se aproximar do público durante o isolamento. A dica de Fernanda, do Festival Path, para quem quer fazer experiências online de qualidade e relevantes, é pesquisar e se inspirar em pessoas e empresas que já disponibilizam o conteúdo online.

Acho muito legal a gente que vive no presencial olhar pra quem já sabe muito bem fazer o virtual. Esse é um momento de testes e está todo mundo aberto ao erro porque estamos aprendemos juntos, então não precisa ter medo. O que a gente precisa é olhar com carinho para o que estamos produzindo, para o conteúdo que estamos disseminando. Estamos sendo bombardeados por uma série de coisas. Então, se é para fazer, é para fazer com carinho e responsabilidade”, acrescenta Fernanda.

3. A importância dos dados: entenda qual é o seu público e o que ele quer consumir

Você sabe quem é o seu público e o que ele está consumindo? Conhecer e entender a sua comunidade é essencial para planejar qualquer evento, seja ele presencial ou online. O que pode te ajudar nesse momento são os dados!

Para Fernanda, esse é o momento ideal para o produtor de eventos começar a usar a análise de dados a seu favor: “Vamos aproveitar esse ambiente virtual que estamos agora para também aprender a olhar e analisar dados, descobrir quem são as pessoas que estão consumindo os nossos eventos. É o momento de investir em estratégias de comunidade que vão trazer resultados positivos para sua marca”.

“Uma dica importante é você mapear o seu público. Você precisa entender o que é relevante e o que eles querem consumir neste momento, porque nem sempre o que as outras pessoas estão fazendo é relevante para essas pessoas. Por isso, olhe para a sua base de dados”, acrescenta Henrique.

4. Mantenha a marca do seu Festival viva

É importante lembrar que os festivais não são projetos que acontecem em um só dia do ano. Por isso, para manter a sua marca relevante para o público e o mercado, é preciso pensar em um projeto de comunicação que dure o ano todo e não deixar as suas redes sociais ativas somente na época do evento acontecer.

Fernanda conta que assim que foi estabelecida a proibição de eventos e aglomerações, a equipe do Festival Path teve que pensar e planejar ações de curto prazo. “Claro que a decisão de adiar o festival não foi de uma hora pra outra. No começo ainda tínhamos esperança de realizar no segundo semestre, mas depois vimos que não era possível. Então, começamos a pensar como poderíamos usar o que temos de melhor para manter o Path vivo durante o ano”.

Ana teve uma experiência parecida com o Festival Coquetel Molotov: “a maioria dos festivais fica com as redes paradas depois do evento. E isso era uma coisa que já estávamos planejando mudar, por isso criamos uma equipe para cuidar das nossas redes durante o ano, mas tivemos que cancelar tudo com a pandemia. Mas naturalmente nossas redes foram virando uma plataforma de lançamento de outros projetos e conteúdos”.

No caso do Festival Planeta Brasil foi um pouco diferente, já que a edição de 2020 aconteceu no começo do ano, antes do isolamento. Porém, Henrique destaca que nem por isso a marca deixou de se comunicar com seu público e pensar em novas experiências.

“Esse é um momento de fazer um planejamento de curto a médio prazo, pensar em algo a longo prazo é um pouco complicado agora. Então, aproveite agora para pesquisar, planejar e fazer uma comunicação eficiente com o seu público”, fala Henrique.

5. Buscar parcerias é fundamental

“A primeira coisa que eu acho que devemos ter em mente é aproveitar esse momento para sair do automático e rever o que estamos fazendo. Existe uma coisa super importante que a gente tem, que deve e pode se fazer valer: a construção de parcerias. Elas são muito importantes e valiosas nesse momento, e não necessariamente precisam ser com pessoas do mesmo segmento”, explica Fernanda.

Antes de lançar a edição online “COQUETEL MOLOTOV .EXE”, Ana conta que a equipe do festival analisou bastante o que estava acontecendo no Brasil e no mundo, e foi nesse momento que eles conheceram o coletivo Um Quarto Club, que já estavam organizando um festival online, o “1/4 Fest: De Quarto em Quarto”.

“Nós começamos a conversar com eles, conseguimos colocar artistas no festival e nos envolvemos na produção, principalmente para entender como aquele projeto iria funcionar e se nós poderíamos fazer algo parecido ou não”. Segundo Ana, essa parceria foi fundamental para o Coquetel Molotov potencializar suas ideias e sua comunidade.

E você, gostou das dicas e aprendizados dos produtores de festivais? Elas podem ser uma ótima oportunidade para você começar o seu projeto e você pode contar com Sympla para isso :)