No dia 13/05, realizamos o Webinar “Entretenimento em tempos de crise: como manter a conexão através dos eventos online. 

Recebemos quatro organizadores de eventos de Recife, todos com muitos anos de experiência em eventos presenciais, que começaram a produzir recentemente edições online de suas festas. Foi uma conversa super rica e curiosa, com muitos aprendizados sobre as suas experiências :)

Nossos convidados, Evandro Sena e Sarah Falcão, do Iraq Club, e Allana Marques e Lucas Logiovine, do Golarrolê, nos ensinaram que há mais semelhanças que diferenças entre uma festa presencial e um evento online. Confira a seguir as 5 coisas que aprendemos sobre festas e eventos online e inspire-se!

E se quiser conferir o webinar na íntegra, você pode ouvir o conteúdo no Soundcloud ou assistir no Youtube.

1. Sensível diferença, mas com algumas coisas em comum

Evandro Sena, do Iraq Club, nos contou que, no início, estava inseguro sobre fazer ou não um evento online. Sua preocupação era se as pessoas estavam no clima de festa:

“Rolou uma resistência inicial. Eu me senti o violinista do filme Titanic (a festa ia rolar, mas eu achava que seria um desastre). Nos primeiros minutos, eu até deixei a minha câmera desligada”.

Mas depois que a festa começou e as pessoas começaram a interagir, Evandro percebeu que o seu evento online tinha muitas semelhanças com as edições presenciais que sempre aconteceram em seu estabelecimento:

“Não acho que existam muitas diferenças, na verdade é justamente o contrário: é tão próximo da realidade… Com as seguintes diferenças, você fica no conforto do seu lar, pode “entrar e sair da sala”, dar um tempo da pista, descansar e voltar. Pode beber uma cerveja gelada sem fila do bar. É um local de paquera também. Tem gente que dança, tem quem não dança. O que não tem é estar no mesmo lugar. Mas tem muito mais coisa semelhante do que diferente.”

Allana Marques, do Golarrolê, reforçou o ponto do Evandro, compartilhando histórias do evento muito parecidas com as que acontecem em qualquer festa presencial: 

“Rolou de tudo, teve montação, um cara que colocou uma coroa, teve gente que montou seu próprio cenário em casa com backdrop, teve a Dona Lúcia, que no meio do meu set pediu uma música… Ela saiu, voltou com uma outra roupa e fez uma performance do Michael Jackson (que sempre faz nas nossas festas presenciais). Teve até um cara bêbado que caiu da cadeira, sumiu da festa e todo mundo ficou preocupado perguntando por ele no chat.”

2. Na pré-produção, rola até passagem de som

Sarah Falcão, DJ do Iraq Sessions, explicou os cuidados que um produtor de eventos deve ter ao pensar em fazer uma festa online: 

“Com duas horas antes, o evento fica aberto para os organizadores no Sympla Streaming (Beta). Daí, a gente faz uma passagem de som, discute o roteiro da noite e checa tudo que precisa para a pré-produção”.

Em uma festa online, você pode ligar seu som diretamente na saída de áudio do computador ou mixer. Ou seja, quem está em casa vai escutar o som com qualidade profissional (bem diferente daquela live da casa do seu amigo DJ via Instagram). 

Outra vantagem é a estabilidade da ferramenta. Tanto a Iraq Session como a festa Casinha, do coletivo Golarrolê, duraram em média 6 horas, sem quedas ou falhas na transmissão.

3. Delivery na festa online? Yes, we can!

Durante as festas do Iraq, é possível pedir delivery do bar e cozinha do estabelecimento.

Evandro explica a diferença: “Nosso delivery não é próprio, trabalhamos com o aplicativo do Ifood. No caso do delivery, diferentemente de você estar fazendo a festa com todo mundo no mesmo local, lá você está concorrendo com outros serviços. Daí, fazemos promoções durante a festa para incentivar as pessoas a consumirem da nossa própria cozinha.”

Fica a dica: deixe bem claro para o público os limites de região da entrega!

Já imaginou receber em casa um drinque com um bilhetinho surpresa? Ou um brinde? Já começamos a viajar nas possibilidade de inovar com experiências online neste formato :) 

Se quiser se inspirar com outras dicas sobre como criar experiências incríveis, leia nosso artigo sobre Design de Experiências.

4. Vale a pena pensar com carinho no pós-evento

“Um amigo que me disse que adorou a festa, mas ele não participaria da próxima. Ele disse que estava sozinho numa noite em que parecia que estava com todo mundo. Depois que a festa acabou, quando foi dormir de noite sozinho, sentiu uma ‘bad’. Pra quem está sozinho o tempo todo, isso pode ser uma pancada”, comentou Allana.

O fim de festa é sempre triste. Principalmente se a festa é boa. Mas a ressaca do fim de festa em tempos de quarentena pode ser ainda mais dolorosa.

A dica aqui é pensar em como surpreender o seu público no pós-festa. 

Lucas Logiovine, também do Golarrolê, já pensou em algumas ideias sobre como envolver o seu público numa jornada com o pós-evento. “Em nossos eventos, a questão da cobertura fotográfica é muito forte, o Instagram, etc. As pessoas gostam de se ver no álbum pós-evento, cobram a gente se não aparecem. Daí, já estamos desenhando uma ideia com a nossa fotógrafa oficial para nossa próxima festa. Vai ser uma surpresa!”

Já imaginou o futuro dos aftermovies das festas e eventos online?

5. Ainda há muito espaço para evoluir (e inovar!)

Depois de encarar a resistência inicial, estrear suas festas no mundo digital e acertar a mão no formato, é hora de viajar em novas ideias.

Sarah Falcão, que já organizou seis edições da festa no Iraq Club, imagina como será o futuro desse modelo de eventos online:

“Acho que é um formato que tem muito a evoluir. Por exemplo, eu estou aqui em Recife, mas adoro festivais. Sempre gostei de acompanhar artistas ou festivais no exterior, Coachella, Lollapalooza, que não consigo ir. Imagina como será o futuro desses eventos? Não só aquela coisa tipo Multishow, que você vê o show, depois assiste a uma entrevista… Mas dar um rolê pelo evento, saber notícias, escutar palestras, acompanhar uma cobertura diferente. É tudo conteúdo! Um festival não é só música, é tudo isso”.

Ainda é cedo para saber qual será o futuro dos eventos online. Mas uma verdade foi unânime entre todos os organizadores: eles continuarão fazendo novas festas e eventos online, inovando e experimentando a cada edição.

Como já falamos aqui, o objetivo de quem produz eventos não mudou. Conectar e emocionar pessoas, em torno de interesses afins. O que mudou é o meio. Mas a vontade de se divertir, com um grupo de amigos, mesmo que em casa, só aumentou com o passar do tempo.

E você? O que está esperando pra começar? Nos vemos na próxima pista digital!